TRILOGIA DO SÍMBOLO

Mistério

Em Grego teletai, consumações, cerimônias de Iniciação ou Mistérios. Eram cerimônias geralmente ocultas aos profanos e pessoas não iniciadas e durante as quais eram ensinadas, através de representações dramáticas e outros métodos, a origem das coisas, a natureza do espírito humano, as relações deste com o corpo e o método de sua purificação e reposição a uma vida superior. A ciência física, a medicina, as leis da música, a adivinhação, eram todas ensinadas da mesma maneira. O juramento de Hipócrates era apenas um compromisso místico.

Hipócrates era um sacerdote de Asclépios (esculápio), cujos alguns escritos, casualmente, tornaram-se públicos. Os asclepíades eram iniciados do culto da serpente de Esculápio, como as bacantes eram-no no dionisíaco e ambos os ritos. Com o tempo, foram incorporados nos templos antigos pelos Hierofantes Iniciados, para proveito e instrução dos candidatos. Os mistérios mais solenes e secretos eram certamente celebrados no Egito pela Companhia de Guardadores do Segredo, como Bonwick denomina os Hierofantes. Maurice descreve, graficamente, sua natureza em poucas linhas: falando dos mistérios celebrados em Filé (Ilha do Nilo), diz que “nestas sombrias cavernas, os grandes e místicos segredos da Deusa (Ísis) eram revelados ao adorador aspirante, enquanto o hino solene de iniciação ressoava em toda a ampla extensão destas recônditas profundidades de granito.”.

A palavra Mistério deriva do grego muô, “fechar a boca”, e cada símbolo a ele relacionado tinha um significado oculto. Para Platão e outros sábios da antigüidade os mistérios eram altamente religiosos, morais e benéficos como escola de Ética. Os mistérios gregos, os de Ceres e Baco, eram apenas imitações do dos Egípcios e o autor de “Crença Egípcia e Pensamento Moderno” ensina-nos que a palavra inglesa chapel (capuz ou capela) diz-se ser o Caple-El ou Colégio de El, a divindade solar. Os tão conhecidos Kabiri ou Cabires estavam associados aos Mistérios. Em poucas palavras, os Mistérios eram, em todos os países, uma série de representações dramáticas, nas quais os Mistérios da Cosmogonia e da Natureza, em geral, eram personificados por Sacerdotes e Neófitos, que desempenhavam o papel dos diferentes Deuses e Deusas, repetindo supostas cenas (alegorias) de suas respectivas vidas. Estas eram explicadas em seu sentido Oculto aos candidatos à Iniciação e incorporadas às doutrinas filosóficas.

A palavra Mistério encontra-se muito relacionada com o Catolicismo quando aborda o Mistério da Fé. Aqueles em que se comemoram a oração do Horto, a prisão e os açoites, a coroa de espinhos, os passos e a crucificação de Cristo. Aqueles em que se comemoram a Ressurreição, a Ascensão do Senhor, o Pentecostes, a Ascensão e a Coroação da Virgem. Aqueles em que se comemoram a Encarnação, a Visitação, a Purificação e o encontro do Menino Jesus.

Mistério que deve vibrar na consciência de todos os seres que não alcançaram a Luz do Espírito. E não existe Mistério maior do que a Mulher, esta que é a Rainha do Planeta, pois todos os seres vêm ao mundo através deste ser misterioso.

Quando uma mulher toma consciência de seu papel na vida material e espiritual, tudo que existe ao seu redor transforma-se, o mundo fica mais leve e os seres passam a evoluir sob a égide do Amor. Sendo assim, a vida torna-se mais suave e os frutos da maternidade tornam-se belos e espirituais.

A palavra Amor, dentro dos princípios Iniciáticos, pode ser substituída por Fraternidade – sendo este o objetivo a ser alcançado pelo discípulo na Senda.

É preciso que as Irmãs adquiram o estado de consciência da Virgem Maria, sejam a expressão da Divina Mãe, sejam Tara bailando nos mundos visíveis e invisíveis, pois só em estado de plena pureza tornaremos real este ideal na Ordem Beth.

Faz-se necessário, no atual estágio evolutivo da civilização, que as Irmãs ocultem dos profanos esta aspiração de pureza, pois não seriam entendidas pela maioria dos seres.

A fase de lançarmos carne no mundo passou. Hoje a tônica que deverá vibrar é o partejar em nosso interior, o Espírito. E só através do Labor Litúrgico e das Yogas conscientes, poderemos dar nascimento à Criança que dorme no ventre de cada mulher; é o Menino Jesus que aspira vir ao mundo terreno, iluminando-a com sua chegada.

Que cada Irmã seja Tara, um Budha Feminino desperto, consciente da Roda de Samsara, sendo a sua missão, quando transmutar seu estado de consciência, trabalhar pela evolução dos seres na Face da terra.

O mistério feminino transcende nossas percepções meramente humanas. É o sopro divino ou inspiração, através da qual os profetas de Israel eram inspirados, como se por uma voz vinda do céu e do propiciatório.

Cada mulher é um aspecto de Aditi, Mãe dos Deuses e a Luz Primordial.

Mistério. A Realidade é o Mistério. Tal a maior altura a que pode chegar a nossa filosofia.

“A mim pouco importa o que sei; importa, sim, o que não sei; porém, aquilo que ignorarei para sempre é o que mais me entristece e subjuga. Nada mais transcendente pode sonhar Spenser do que o seu Eterno Incognoscível. Nada mais grato para o eleito do que aquilo que eternamente continuará oculto.” (J.H.S. – “Ocultismo e Teosofia”, pág.191)

 

Atividade

Tudo se encontra em movimento, nada é estático no planeta. As coisas que achamos estarem paradas representam apenas uma falsa percepção da consciência, distorcida em relação à realidade.

O movimento gera luz em todo o planeta. Assim, as Irmãs, na Ordem, devem se comportar, desenvolver atividades, em todos os sentidos, para justificar a existência deste jovem movimento que foi inaugurado recentemente na Confraria. É uma oportunidade ímpar para cada Irmã poder criar, colocar a sua aptidão à disposição de nosso Convento e oferecer à comunidade valores que a tornarão digna.

Atividade é um atributo do Espírito humano. Aqueles seres destituídos deste valor estão despojados dos Valores Espirituais e a Ordem reúne mulheres valorosas a nível espiritual. Portanto, ser ativa deverá ser um comportamento natural de cada Irmã.

Se cada Irmã oferecer ao grupo o que existe de melhor em si, transformaremos a Ordem em uma esplendorosa constelação. Para tanto, precisamos nos despojar do ciúme, da inveja e do orgulho, trilogia caótica em sua essência, centro gerador da competição e da desagregação grupal, que destrói, como traças, a Fraternidade.

Sejamos Ativos e Colaborativos, para que a Ordem cresça dentro dos princípios harmonizados do Amor e da Paz.

A Ordem, centrada no sentimento de Fraternidade, não deverá exigir de seus membros o que está além de suas possibilidades. Tal postura contraria a esta idéia central, significando opressão e falta de respeito em relação às limitações humanas.

Dinamizar, tornar ativo o outro é ter profunda acuidade da natureza humana. É ter a percepção de um maestro, pois este tem o entendimento de que todos os instrumentos tocados na orquestra geram a harmonia da música que deleita nossas almas e nos transporta para o mundo celestial. Este deverá ser o real sentimento ativo vibrando na Ordem Beth.



Expansão

Expandir, crescer, desenvolver-se é a tônica principal da Ordem. Trazer novos membros e aperfeiçoá-los dentro dos princípios iniciáticos.

Fazer da Ordem uma família espiritual dentro dos princípios fraternais, por ser esta a nossa escolha consciente.

Enquanto os seres não compreenderem que nossas famílias consangüíneas representam o fruto dos Karmas passados e que em seu núcleo prevalece o sentimento egocêntrico, particular, que tanto sofrimento tem gerado no seio da civilização, não cessaremos a dor do homem.

A família original é o primeiro impulso do ser na escala evolutiva; o segundo são os amigos; o terceiro é a humanidade em seu todo.

Amar e respeitar a família original é um dever do Iniciado. Este sentimento inicial impulsionará o ser a devotar confiança nos primeiros amigos; expandindo este sentimento sentiremos, no fundo de nossas almas, a Vontade de trabalhar, desinteressadamente, pelo aperfeiçoamento da humanidade. Assim sendo, o altruísmo será uma realidade objetivada em nossas consciências.

Trabalhar o desapego familiar carnal é de suma importância para a evolução iniciática. Quanto mais evoluímos, maior crescimento terão nossos familiares originais.

Milhares de almas perdem-se nas veredas da vida por não compreenderem esta mecânica evolutiva. Ficam aprisionadas por sentimentos egocêntricos que, na maioria das vezes, expressam o ódio, em substituição ao Amor, e confundem o relacionamento, tornando-o conflitante e sofrido.

Esta percepção infantil da vida familiar é a diferença marcante de um Iniciado em relação ao homem comum. Um devota toda a sua vida em prol da humanidade como um todo; o segundo vive atormentado pelo seu egoísmo, que promove o seu sofrimento e o dos demais seres.
É Dever das Lideranças da Ordem gerar, em seu interior, o real sentimento familiar, para que todas as Irmãs sintam, verdadeiramente, o sentimento fraternal.

A expansão deverá estar centrada na base familiar cósmica, onde todas deverão compreender que são células de um único ser e discernir que, no presente, nasceram em uma família e em futuras encarnações poderão nascer em grupos familiares totalmente diferente. Sendo que, tudo isto, obedece ao Karma gerado no presente, força determinante de futuras encarnações.

Não precisamos fazer grandes reflexões para compreendermos este pensamento, basta observarmos ao nosso redor que o conceito de família tem mudado nas últimas décadas, pois, na Era de Aquário, onde o estado vibracional do ser será outro, não se permitirá que sentimentos mesquinhos interfiram na felicidade da humanidade.

Expandir para crescer em real sentimento de Fraternidade: esta é a Luz que guiará todas as Irmãs na condução da Ordem Beth.

É atitude correta das Obreiras: trabalhar para a Expansão da C.M.B., propiciando aos seres de Boa Vontade o crescimento espiritual e material, sem se preocuparem com as mesquinhas recompensas humanas.

Expandir este trabalho, propiciando a divinização das humanas criaturas e oferecer ao Culto de MELK-TSEDEK às almas redimidas através da vivência do Amor/Sabedoria.