SIMBOLISMO DOS NÚMEROS − O Número 1:

Daremos início a uma série de trabalhos sobre os números considerados iniciáticos para alguns seguidores da Cabala Hebraica. Toda semana postaremos a simbologia de um deles aqui em nossa página eletrônica. Esperamos que todos os seres possam se beneficiar com a energia emanada dos mesmos. Por ser este o primeiro trabalho de nosso tema, antes de entrarmos no significado do número UM, faremos uma introdução sobre o simbolismo/significado dos números como um todo.

Os números encerram muito simbolismo em seu verdadeiro significado. Tanto os algarismos, quanto as letras tem um sentido exotérico e outro esotérico, ou seja, o exotérico estaria relacionado ao sentido profano, àquele que todos têm acesso e o esotérico ao sentido iniciático que somente quem tem olhos pra ver e ouvidos para ouvir pode captar, já que indicam mensagens veladas e de profundo conteúdo. Portanto, não são incompatíveis entre si, ao contrário, quando os alfabetos foram compostos, as letras receberam valores numéricos específicos, logo, quando se compõe o nome de uma pessoa, está implícita toda uma significação cabalística. São mantras pessoais, sonoros e escritos, concentrando pólos de atração e repulsão de energias.

Conforme o conhecimento foi se profanando, ciências foram criadas com dois principais objetivos: proteger o significado oculto e ensinar para quem estivesse preparado. Assim criou-se, entre outras ciências, a Numerologia, como forma de desvendar os mistérios da vida humana e divina.

No decorrer da história, a Numerologia evoluiu e se separou da Matemática (da qual proveio), da mesma forma que a Astrologia se separou da Astronomia e a Química da Alquimia.

A Numerologia ensina que cada número tem uma vibração ou essência individual e quando o mesmo é aplicado, interfere diretamente na vida daquele ser que o está utilizando, ou seja, como sabemos que a iniciação é individual, pois só depende de cada um e, ao mesmo tempo, coletiva, já que o que aquele ser fizer vai interferir diretamente na vida das outras pessoas, o conhecimento dos números se torna uma das prioridades da vida do verdadeiro buscador.

Mas quem começa a buscar este tipo de conhecimento iniciático não pode deixar de estudar a história do filósofo e matemático grego, Pitágoras, nascido em Samos entre os anos 570 a.c. e 571 a.C. e tendo, supostamente, morrido entre os anos 496 a.c e 497 a.c, em Metaponto.

Os Maçons o chamavam de Antigo Amigo e Irmão, tendo se tornado o mais importante sistematizador das proposições maçônicas. Fundador de uma escola mística e filosófica em Crotona (colônia grega na península itálica) estabeleceu princípios que se tornaram determinantes para evolução geral da matemática e da filosofia ocidental, os quais tratavam basicamente da harmonia matemática, da doutrina dos números e do dualismo cósmico essencial. Para ele, os números representavam a essência de tudo o que existe e por isso eram o sinônimo de harmonia universal, já que através da soma de pares e ímpares e de noções opostas (limitado e ilimitado), entre outros conceitos, que se pode estabelecer uma relação estreita e direta com a vida humana, já que esta é constituída de processos de evolução/transformação. Para os pitagóricos, os números não são apenas símbolos matemáticos, mas sim a expressão dos valores das grandezas que exprimem. A partir daí, podemos obter como aprendizado que o conhecimento do micro (mundo humano) permite uma projeção do que acontece no macro (mundo divino), afinal já diz o velho ditado “tudo que está em cima é como o que está embaixo”.

A efígie do 47° Postulado de Euclides (Teorema de Pitágoras) é utilizada em diversas ordens iniciáticas como a representação daqueles que exercem ou exerceram papéis ritualísticos importantes, de onde se conclui que a influéncia do filósofo ainda hoje é muito forte.

Com tudo que até aqui foi exposto não é difícil perceber que dentro de uma instituição iniciática pode ser encontrada uma simbologia numérica muito presente, seja na representação exata dos números (1, 2, 3 etc), seja na forma em que são representados (signos do zodíaco, lâminas do tarô etc). Os números acessam um conhecimento que está além da mente racional, atuando diretamente em nossos centros de energia − os chakras − ainda que náo conheçamos seus significados mais íntimos. Isto acontece porque a Divindade deu ao homem uma mente racional capaz de estabelecer, ainda que inconscientemente, o contato entre a matéria (corpo físico), a alma (corpo psíquico) e o espírito (corpo espiritual). Logo, quando o discípulo acessa as “chaves” certas, consegue criar um contato ainda maior com Deus, já que tal contato passa a ser feito de forma consciente. Então, os números servem como um portal mágico que leva aqueles que os acessam a um nível de energia muito mais sutil e, portanto, superior.

Querer aprender e entender a Geometria do Universo sem conhecer as funções místicas dos números, é impossível. A natureza se move por números e, portanto, compreender os números é dominar a natureza, inclusive a humana...

Para a simbologia de algumas Ordens, senão da maioria, os números ímpares têm qualidades místicas e misteriosas, enquanto os pares podem, quando empregados com este fim, transmitir influências negativas.

O neófito no caminho da Senda Espiritual, precisa conhecer o verdadeiro significado dos números 1, 2, 3 e 4 trabalhando neles e estando neles, pois só assim poderá dar continuidade a seu processo evolutivo. Isto acontece porque somente depois que descobrir todos os mistérios encerrados nos números 1, 2 e 3, que o buscador pode chegar ao número quatro − ou Tetragrama − e uma vez que consiga equilibrar os cinco elementos presentes em sua natureza pode se sentir responsável pelos seus pensamentos e seguir em seus ensinamentos, atingindo o 5° número e todos os outros que o seguem.

Porém, no presente trabalho vamos nos ater ao significado do número UM. Este número representa a unidade, o poder criador, a mônada individual, o homem, é o princípio ativo.

É a manifestação da Divindade que até então estava imanifestada, mas não em nosso plano, (ainda...) já que é ele que divide o círculo, ou o zero, para que dali se obtenha a luz cósmica que irá formar todos os outros números.

O número UM é o princípio masculino, representa a letra hebraica Aleph, o início de tudo. É, segundo os hebreus, o símbolo da força divina penetrante que é experimentada em seu ato criador à medida que se descobre outras letras/números, já que ele é a energia essencial, vital, fonte e finalidade universal.

É o símbolo do Sol, o astro-rei que ilumina a todos, e portanto, é dele que partem todos os outros. Este número está presente na vida humana desde os primórdios, pois a demarcação do território era feita quando o primitivo apontava para si mesmo e cravava a vara no chão, como que dizendo: Eu Sou! E ele realmente era... o UM é o líder, o pai, o início transformador sutilmente manifestado!

Sendo assim, ele é o poder criador, mas ainda não é a criação em si, pois ele só tem sentido quando somado aos outros. Não estamos dizendo com isso que o UM não existe, ao contrário, ele realmente existe, o fato é que sua força não pode ser diretamente conscientizada quando está sozinha. Transportando este significado para o mundo humano, o valor do UM só acontece em nossas vidas, quando nos apercebemos de uma situação que oferece opções, ou seja, quando aparece o contraste, do contrário, poderemos deixar facilmente aquela oportunidade escapar ou, até mesmo, não aproveitá-la em sua plenitude, simplesmente porque não trouxemos à tona seu valor primordial, que é a FORÇA.

No tarô, o UM está expresso na primeira lâmina, recebendo diversos significados, sendo eles: Vulgarmente − O Mago Pelotiqueiro; para Cagliostro − Vontade; para São Germano − O Princípio Ativo do Universo; e para o Velho Testamento, o Anjo da Palavra − Deus em Movimento, Começo das Coisas.

Enfim, o UM é o início de tudo que evolui, mas só se torna consciente quando o que evolui dá continuidade a seu ciclo e polariza. O UM e o DOIS são apenas pólos opostos de uma mesma coisa...

O número UM, associado ao DOIS e ao TRÊS são considerados os números pessoais e, portanto, chamados de UM. Sua palavra de atenção é me e meu, logo, estão relacionados ao eu, o próprio indivíduo.

Desta forma, fazendo-se uma comparação com o “tempo” o UM seria o passado (PAI), o DOIS o futuro (MÃE) e o TRÊS o presente (FILHO). O passado só é percebido quando se tem a noção do futuro e a partir daí, do contraste dessas duas realidades, que se pode escolher o que se quer naquele momento, ou seja, o que se deve fazer no presente.

O n&úmero UM tem ligação direta com o número 11, já que este é uma supervibração sua, porém este último não tem ligação direta com qualquer letra em particular. A cabala reúne informaçóes secretas que podem ser reveladas sob forma numérica, literal ou hieroglífica e as Ordens Iniciáticas mantendo esses segredos, recuperaram e conservaram a chave da Cabala Hebraica.

Agora, é muito mais fácil identificar porque o caminho começa com os três primeiros números: com o aprendizado de sua vida profana (que agora reside no passado - número UM), o já iniciado pode vislumbrar uma nova vida e realmente se transformar (esta transformação está relacionada a um futuro que pode estar distante ou não - número DOIS), para então, poder recomeçar, lapidando sua pedra bruta e transformando-a em cúbica no hoje, no agora, no presente (número TRÊS)!

“Os números são a linguagem universal oferecida por Deus a humanidade, como instrumento de confirmação das verdades terrenas e espirituais” Santo Agostinho

Adriana Aranha
Sacerdotisa da Ordem Beth
18/03/2009

Bibliografia:

• CASTELLANI, José. Maçonaria e Astrologia, São Paulo: Landmark, 2a. Edição, 2002.
• DA CAMINO, Rizzardo. Maçonaria Mística. 1998.
• MARINHO, Arabutan Alves − Da Sala dos Passos Perdidos à Cadeira de Salomão. Ed. A Trolha, Londrina. 2009.
• Site da Ordem Aleph - http://ordemaleph.confrariamisticabrasileira.org.br