MONOGRAFIA 1 − PLANO GLOBAL DA EVOLUÇÃO

COSMOGÊNESE

Dizia o Prof. Henrique José de Souza que a OBRA é uma colcha de retalhos.

O Universo, pois, não se manifesta segundo um fatalismo determinado previamente por um Deus antropomorfo e criador.

A Manifestação traduz um todo consciente, onde os erros e os acertos, longe de provar imperfeição, documentam as lutas constantes por como se dá a realização, no tempo e no espaço, do trabalho dessas consciências que se chamam Deuses, Mônadas, Elementais, etc.

Tudo evolui no Universo, logo se torna impossível a idéia de fatalismo. A própria Bíblia, encravada em nossa tradição cristã, afirma no Gênese: "No princípio era o VERBO", e, como entendemos, Verbo é AÇÃO, TRABALHO, ESFORÇO.

Concluímos, pois, que a OBRA, esta "colcha de retalhos, realiza-se através do trabalho das consciências, mais ou menos desenvolvidas, acontecendo naturalmente os erros, as contramarchas, as recapitulações, as modificações para correção de planos falhados, ajustamento ao teor evolutivo das mônadas, no sentido do melhor proveito e harmonia do todo.

À compreensão de um discípulo não é fácil à visão do Todo.

Os textos da Sabedoria Arcaica não são compostos segundo uma didática escolar. Por isso, encontrar o fio que os una em seqüência, numa síntese, mesmo que precária, traduz para ele, reconheça-se tarefa pretensiosa. E, desculpa-se tão somente, pelo fato de não haver ainda (ao menos não conhecemos) literatura com tal característica. E, reconheça-se, reconheçam todos, revela-se de máxima importância para que se tenha uma visão completa do "universo teosófico", conhecer o plano global da Evolução, por entender que a Terra, o quarto Sistema, expressa a manifestação do Eterno como MENTE ("O Universo é mental") foi tomado o HOMEM como chave de interpretação. E, assim, Terra, Homem e Jiva − o Ser mental, o Pensador, o Manu, é todo o Universo que existe, vivemos e somos.

A SUBSTÂNCIA

Para entendimento da Cosmogênese, Antropogênese, Evolução e Deificação, isto é, início, meio e fim da Manifestação, nada melhor que trazer à luz algumas páginas do respeitabilíssimo curso de 63 aulas da chamada Série D, da autoria do Dr. Castaño Ferreira, Coluna J de J.H.S.:

"Há, do ponto de vista esotérico, um conceito fundamental para o entendimento da Cosmogênese: o conceito de SUBSTÂNCIA.

"Substância, é aquilo que se manifesta. A base da manifestação dos Universos. A CAUSA SEM CAUSA DO ESPÍRITO E DA MATÉRIA.

"Trata-se de "algo"que não tem princípio nem fim, Que não tem passado, presente ou futuro. Que transcende o tempo, a ónica realidade incontingente. é aquilo a que Spinoza chamou de CAUSA SUI, isto é, causa de si mesma, causa sem causa; pois, revela-se um absurdo lógico a idéia de que os mundos houvessem tido ou venham a ter um princípio sem se apoiarem numa realidade substancial ilimitada e terna.

"A SUBSTÂNCIA possui inómeros sinônimos na literatura ocultista: é o ESPAÇO, a VIDA UMA, o ABSOLUTO, a DURAçãO, a ETERNA ESPERANçA, o GRANDE HÁLITO, SVAYAMBHUVA, ou Aquilo que existe por si mesmo, O TODO, o Ain-Suph ou TUDO-NADA dos cabalistas. Se expressa, matematicamente, pelo ZERO, ou seja, a ausência de qualidades."

POLARIDADE

Para manifestar-se, continua C.Ferreira, a SUBSTÂNCIA se polariza. Eis suas palavras:

"Existe, portanto, uma realidade substancial, eterna que, obedecendo a uma Lei cíclica, polariza-se em Espírito e Matéria, ou seja, falando em termos simbólicos, nos pólos positivo e negativo da manifestação.

"A Substância Primordial é o NÃO-SER que, polarizando-se, transforma-se no SER.

"Portanto, tudo que existe, tudo que é, expressa, necessariamente, a manifestação polar de algo que tem, no outro pólo, sua contradição ou negação absoluta.

"Assim, luz e trevas, espírito e matéria, bem e mal, frio e quente, atração e repulsão, inércia e movimento..., são substantivos e adjetivos usados para exprimir maneiras de ser, atributos ou qualidades que se podem fundir e desaparecer quando a mesma Substância entre naquilo a que se denomina de Repouso ou PRALAYA.

"Claro está que a nossa linguagem contingente não possui termos apropriados nem suficientes para significar a verdade do que seja este estado, que dizemos ser passivo ou de repouso. De fato, a Substância Genésica jamais pode estar em repouso. Ela representa o próprio Movimento. O Movimento é a sua maneira de ser. Entretanto, sendo MOVIMENTO TRANSCENDENTE ou ABSOLUTO, as consciências limitadas nela vêem tão somente a completa imobilidade.

"A LEI DE MANIFESTAçãO é a sua própria natureza intrínseca. E, por isso, através dos ciclos, a Substância Eterna polariza-se e "despolariza-se", voltando ao Não-Ser, na sucessão daquilo a que a Sabedoria oriental cognominou os "Dias e as Noites de Brahmá".

"A POLARIDADE cria dois centros cósmicos ativos.

"Ao Pólo Positivo chamamos de PURUSHA ou ESPíRITO, e ao Pólo Negativo, PRAKRITI ou MATéRIA.

"A polaridade Espírito-Matéria se expressa como Natureza-ativa e Natureza-passiva. A fusão do Espírito e da Matéria, isto é, das Naturezas Ativa e Passiva é um fato incoercível e necessário tão logo se manifestam, pois, como pólos dialéticos, um não pode subsistir sem o outro. E só desaparecem quando cessa o Mavantara, retornando ao estado de Repouso no Seio de Parabram.

"Portanto, é o que importa compreender, PURUSHA e PRAKRITI não podem existir separadamente."

MISTÉRIO, AMOR E EXPANSÃO!

"É DEVER DO DISCÍPULO, POR AMOR E RESPEITO AO PRÓPRIO MESTRE, POSSUIR A MAIOR "VIGILÂNCIA DOS SENTIDOS" PARA NÃO FAZER SOFRER AQUELE QUE LHE SERVE DE GUIA NA ESPINHOSA VEREDA DA INICIAÇÃO"HELENA JEFFERSON DE SOUZA

MANUEL FERREIRA