Magia Sacerdotal II (O Ritual)

No primeiro ensaio sobre magia sacerdotal, falamos sobre as qualidades, posturas e atitudes que um mago sacerdote deveria ter para que o ritual mágico pudesse ser levado a cabo com sucesso. Ou seja, estabelecemos o ser humano como ponto de partida para a efetivação da ritualística, sem ele e seu mental concentrado, seria impossível a realização da magia sacerdotal.

Todos nós, seres encarnados, de alguma forma, realizamos rituais em nossas vidas cotidianas. Praticamente, nossa estada neste mundo se confunde com uma série de ritos que empreendemos para determinadas situações em que nos encontramos. Mas, qual seria o diferencial entre o ritual cotidiano, ou um círculo de ações repetitivas que fazemos todos os dias, muitas vezes de forma displicente, para um ritual mágico?

Todo o ritual segue o seu rito, que seria conjunto de preceitos que o mago se utiliza para realizar a liturgia. Neste momento, dependendo da força de concentração do oficiante e dos presentes, haverá uma mudança no estado de consciência das pessoas no circuito mágico, pois elas estarão conectadas a uma outra dimensão, à dimensão das causas, onde o verdadeiro ritual se processará.

Para tanto, o sacerdote invoca as energias dos três mundos: do Mundo Terreno (ou da natureza); do Mundo Divino (ou dos deuses e dos devas) e do Mundo Celestial (dos budas); para que amparem os trabalhos a serem iniciados. Neste contexto, o mago se investe da energia que destes mundos emana e, como canal, como ponto de convergência, ele irá manipular estas forças para um determinado objetivo a ser alcançado.

O local onde o ritual se processará deverá ser previamente preparado para exercer certa estimulação nos presentes. Digamos que o lugar deva ser consagrado para a finalidade ritualística, observando-se regras de arrumação e disposição do mobiliário, bem como as pessoas deverão circular naquele espaço. A preparação também passará pelo incensamento do santuário com ervas e materiais aromáticos apropriados que desde então promoverá uma atmosfera propícia para trabalhos elevados.

Os presentes deverão estar absolutamente a par da coreografia exigida por aquele ritual, que estabelecerá a motivação psíquica para o reconhecimento de que um preceito sagrado será realizado. A indumentária é também um elemento importante, pois cria um elo entre o que é comum e o que é incomum, sinalizando à psique um estado atípico e que merece tratamento diferenciado.

Podem ser utilizados nos rituais, os instrumentos de poder que canalizam a energia para dentro ou para fora do círculo de força. Estes não são objetos comuns, são confeccionados com metais específicos e, antes de serem usados, são consagrados por um Mestre que os vibra mentalmente e os repassa para aqueles que irão manipula-los. Seriam eles as espadas, baguetas, sinos, dorge budista, cálice, cruz etc.

Um ritual de alta magia, normalmente se divide em três partes:

Abertura - Na abertura, o oficiante estabelece o contato com a potestade celestial que lhe outorgará o poder de penetrar no mundo das causas e imprimir a vontade do Eterno na Face da Terra. Desta forma, o sacerdote atrai para o círculo mágico, o amparo de um ser de estatura espiritual cósmica que se derramará em luz sobre todos os presentes, imantando-os com sua força.

A evocação é feita pronunciando o nome deste ser que é de importância capital, pois a rigor, o mago integra sua consciência nesta consciência iluminada, se assim não o for, a magia não poderá ter sucesso já que será apenas a personalidade do mago que terá lugar naquele trabalho, e este, por assim dizer, não alçará vôo até a esfera superior.

É claro que o mesmo deverá ser feito pelos participantes que deverão manter suas consciências atentas, concentradas no direcionamento que o dirigente estará dando, para que possam projetar suas mentes neste campo vibracional.

A essência de um ritual de magia é percebida logo neste estágio, pois que, o sacerdote também estabelecerá qual será o objetivo que se deseja alcançar. Em outras palavras, ficará clara a intenção pela qual todos estarão empenhados e por conta disto, haverá como saber se o trabalho é de magia branca ou negra.

Desenvolvimento - Neste momento, o mago promoverá o movimento centrífugo de atração das forças dos reinos da natureza para a construção da base ou corpo que será insuflado pelo poder da mentalização altruística de todos os presentes. Este corpo, que na realidade pode ser interpretado como um campo vibracional, será constituído pelos elementos que dão sustentação ao universo que são terra, água, fogo, ar e éter; e que são atraídos através das mentalizações de cores, formas geométricas e pela vocalização de sons específicos (mantrans).

Cada um estará engajado em visualizar mentalmente estes elementais sendo projetados dentro do círculo mágico, encadeando-se organizadamente neste centro de força criado pelos pensamentos dos participantes. Não é preciso dizer que a concentração é a chave-mestra para que se gere tudo com perfeição. São necessários o fervor e a convicção para que tudo aquilo que foi pronunciado seja, verdadeiramente, plasmado naquele santo lugar.

Uma vez que todos os elementos estejam impressos magicamente, serão aglutinados como um ser, no centro magnético da mandala. Esta aglutinação é feita evocando o Amor Universal que é o que corporifica tudo neste universo. Neste estágio, o corpo de mentalizações assume contextura e o ritual passa por um momento crucial, quando todos unidos, insuflam-lhe a Vida, o Fogo Divino, o Espírito Santo.

O mago então, imprime outro movimento na ritualística, o movimento centrípeto. Todas as virtudes vibradas serão canalizadas através dos participantes, que potencializarão os objetivos nobres para os quais o ritual está sendo direcionado.

Encerramento do Ritual - Um conjunto harmonioso é gerado pelas consciências que se fundem em uníssono. O sacerdote direciona este poderoso quantum de energia consciente para o objetivo estabelecido desde o início do cerimonial. Todos visualizam, com fé e determinação, aquele ser criado pelos pensamentos e palavras atingindo o seu destino.

O fechamento ritualístico é feito evocando novamente o nome do ser iluminado que amparou e nutriu todo o trabalho. Também repetem-se os objetivos pelos quais aquela liturgia foi feita.

Os rituais são elementos de profunda conexão com os mundos espirituais, eles abrem portais interdimensionais para que as energias de freqüência mais alta possam se objetivar na Face da Terra e beneficiar todos os seres.

Todos aqueles que participam destas liturgias não somente promovem a purificação do seu próprio karma, como também, colaboram intensamente com a purificação do karma da humanidade, que necessita destas práticas como nunca. A densa camada de negatividade que cobre todo o planeta somente pode ser transmutada através de mecanismos espirituais potentes. E quanto mais pessoas se interconectarem por estes meios, maior será o amplexo de luz entre nós, por menor que seja o trabalho ele repercute de forma altamente positiva.

A magia sacerdotal está empenhada justamente nisto, em aliviar o sofrimento de todos os seres. Os sacerdotes nestes rituais trabalham com objetivos universais e não para proveito próprio, o que acarretaria em aumento do peso kármico. Portanto, é imperativo que todos sejam conscientes de suas responsabilidades no emprego da magia.

“As ondas de pensamento altruístas e generosas, propagadas no plano da matéria mental, não se limitam a favorecer e beneficiar apenas os que são por elas alcançados; concorrem para o desenvolvimento e enriquecimento da própria matéria que lhes serve de condução, de veículos transmissores.”(JHS)

“A pronúncia de qualquer palavra sagrada nenhum valor possui, desde que não se tenha uma nítida compreensão dos seus valores.”(JHS)

*É importante mais uma vez ressaltar que nosso intuito neste ensaio é o de esclarecer ou de introduzir o assunto aos irmãos, e não o de ensinar Magia a quem quer que seja. Até porque, estaríamos sendo pretensiosos, pois tal conteúdo somente é ministrado por Mestres, de boca para ouvido, unicamente para discípulos selecionados.

Alessandra Vidal
Sacerdotisa e Coordenadora de Instrução da
Confraria Mística Brasileira