OS CINCO ELEMENTOS, UMA SUTIL PERCEPÇÃO:

A Confraria Mística Brasileira é uma instituição que proporciona aperfeiçoamento e lapidação àqueles que a buscam. Através dos trabalhos praticados internamente nas Ordens Aleph (masculina), Beth (feminina) e Ghimel (jovem), o Iniciado tem uma mudança real de postura (ação / físico), sentimento (emoção / psíquico) e pensamento (espiritual / mental), desde o seu primeiro contato, ainda que esteja nas séries preliminares. Tal mudança é mais fortemente percebida no dia da tão sonhada Iniciação, já que, como forma de depuração pessoal, o iniciando é simbolicamente “limpo” pelos cinco elementos presentes na natureza e no próprio Homem, àqueles que são a matéria-prima básica para toda a Criação, segundo a Astrologia. Sendo os mesmos:

ELEMENTO CHAKRA SERES SENTIDO BIJAM COR PLANETA
TERRA (Prithvi) RAIZ (Muladhara) GNOMOS OLFATO LAM ALARANJADA MERCÚRIO
ÁGUA (Apas) BAÇO (Svadhichtana) ONDINAS PALADAR VAM VOLETA LUA
AR (Vayu) CARDÍACO (Anahata) SÍLFIDES TATO PAM VERDE SATURNO
FOGO (Agni) UMBILICAL (Manipura) SALAMANDRAS VISÃO RAM VERMELHA MARTE
ÉTER (Akasha) LARÍNGEO (Vishuda) ANJOS, FADAS AUDIÇÃO HAM AZUL ÍNDIGO VÊNUS

O Homem é dominado pela alternância do Sol e da Lua, as “luminárias” visíveis a olho nu. Logo, o neófito que está em busca dos conhecimentos, até entrar em um trabalho espiritual, não consegue perceber que existem outras formas que atuam diretamente em sua caminhada na Face da Terra, como é o caso dos Cinco Elementos. Estes podem ser comparados aos planos físico (relacionado a Terra), psíquico (relacionado a Água), mental (relacionado ao Ar), espiritual (relacionado ao Fogo) e divino (relacionado ao Éter).

Segundo demonstra a literatura esotérica, as Ordens Iniciáticas da Antiguidade, tinham como pré-requisito para o ingresso em seu interior, o domínio dos elementos, pois somente desta forma o candidato estaria totalmente preparado para lidar com tudo o que foi criado, só que no âmbito de seu universo particular, era o início da preparação para uma nova vida, iluminada pela verdade e concebida, ativa e fecunda com a prática da virtude, ou seja, a terra representaria o domínio do medo, do desmoronamento, da melancolia, da avareza, da falta de horizontes, do controle do corpo e por isso o iniciando era colocado dentro de um buraco ou caverna estreita, úmida e profunda; a água representaria o domínio da incerteza, da insegurança, da sensação de abandono e da falta de apoio, da emoção e por isso o candidato era colocado dentro de um rio caudaloso e com correnteza violenta; o ar representaria o domínio da vertigem, do desequilíbrio, da dificuldade de respiração em função da apreensão, dos pensamentos ruins e por isso o iniciando era lançado das alturas de um precipício ou montanha; o fogo representaria o domínio sobre o calor, a luz excessiva e à sensação de proximidade com um poder terrível que pode destruir, por isso o candidato era colocado dentro de um salão incendiado ou circundado por três enormes fogueiras e, finalmente, o éter era o reencontro com a Divindade, com o Eu Interno, era o começo da transformação de “Crestos” em “Cristos”.

Ainda nos Ritos Antigos, o aspirante viajava pelos subterrâneos encontrando ao final de sua caminhada a seguinte inscrição: “Quem quer que tenha feito essas viagens, sozinho e sem medo, será purificado pelo fogo, pela água e pelo ar e, tendo podido vencer o terror da morte, com a alma preparada para receber a luz, terá o direito de sair do seio da terra e de ser admitido à revelação dos grandes mistérios”.

Atualmente, a C.M.B. também realiza estas provas simbolicamente através de vivências realizadas no interior do Santuário.

A primeira das quatro provas simbólicas dos elementos é a Prova da Terra, o interessante é que nesta primeira etapa o candidato inconscientemente já é lançado frente aos demais elementos, já que a terra é representada pelo ambiente em si, pelas leituras de textos que avisam sobre a morte para a vida profana. A Terra é o útero do qual o iniciando nasce para uma vida honrada, repleta de conhecimento e responsabilidade, o próprio aperfeiçoamento e compromisso que irá assumir com a Ordem que escolheu e foi escolhido; a Água é citada ao se falar das emoções que, a partir daquele momento, têm que estar contidas em um recipiente e neste caso, o próprio corpo, é o agir com a razão e o pensar com o coração; o Ar é a própria respiração, que agora tem que estar mais controlada, os pensamentos que surgem ali dentro têm que seguir a mesma linha de raciocínio, um raciocínio baseado em consciência real; o Fogo é a iluminação do ambiente, deixando clara, a escolha feita naquele momento, ou seja, a procura do "eu interior" de cada um e, por fim, o Éter, que rege tudo, é a própria manifestação da Divindade realizada na Face da Terra através de sua imagem e semelhança.

A Prova do Ar é a primeira etapa, representa o emblema da vida humana, sujeito a variações muitas vezes contraditórias, com todas as suas nuances e dificuldades, as mesmas sendo representadas pelos ruídos e trovões.

A Prova da Água é a segunda etapa, a Água pode ser vista como o oceano e o oceano é um dos símbolos da humanidade (os homens são gostas deste mar), o mesmo povo pelo qual se dedicam os verdadeiros Iniciados, só que antes de começar a trabalhar pelos homens é necessário que o neófito se purifique através deste elemento, seria o batismo filosófico, lavando toda sua impureza. É o auto-controle, a guerra interna que os verdadeiros seguidores da Grande Fraternidade Branca terão que travar.

A terceira e última etapa, é a Prova do Fogo, que tem em suas chamas a aspiração, fervor, e, ao mesmo tempo, o zelo que o iniciando tem que ter ao ingressar em sua trajetória espiritual, trabalhando pelas causas do povo, da pátria e da Ordem. Este elemento vai purificar e santificar a matéria bruta e comprimida e transformá-la em uma lapidada. Ele cicatriza todas as fendas abertas no corpo, na alma e no espírito.

E por fim, já tendo encontrado a Luz, o Iniciado é então lançado as mãos da própria Divindade, que a partir daquele momento guiará seus passos, estando presente em tudo que ele cheirar, comer, ver, sentir e ouvir, na forma do Éter transformador.

Enfim, os quatro elementos representam a humanidade em suas quatro etapas de vida: a infância, a adolescência, a idade adulta e a velhice, tendo ainda correspondência aos quatro pontos cardeais, às quatro estações do ano, às quatro idades do Mundo (Idade do Ouro, da Prata, do Bronze e do Ferro), entre outras comparações, estando os mesmos sempre relacionados ao 5º que vem a ser a ligação do Homem com Deus, não um Deus que está acima ou abaixo, mas sim a Divindade que está dentro de cada um dos seres existentes, mesmo que a maioria ainda não se dê conta disso, e é somente por este motivo que pode-se afirmar que a “ mão que muda o mundo é a minha”, porque só através de um Laboratório Gerador de Energia Física (elemento Terra) capaz de transformar tal energia em Magia Operante (elemento Água) manifestada através dos Pensamentos e Sentimentos Puros (elemento Ar) e da Transmutação dos Corpos e Emoções (elemento Fogo) que se pode estabelecer a Verdadeira Manifestação da Idéia na Face da Terra (elemento Éter) sendo o seu Real Representante ou Sua imagem e semelhança realizadas!

“Todas as ciências físicas tendem a dividir o homem em várias partes, enquanto as espirituais pregam a unidade na diversidade”. (Autor Desconhecido)

Adriana Aranha
Sacerdotisa da Ordem Beth
19/11/2008

Bibliografia:

• BLAVATSKI, Helena P. Síntese da Doutrina Secreta. São Paulo: Editora Pensamento, 1992.
• ASLAN, Nicola – Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia. São Paulo: Artenova Editora, 1975.
• CAPRA, Fritjof. O Tao da Física. São Paulo: Cultrix, 1983.
• JUNG, Carl G. O homem e seus símbolos. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1964.
• Diversas monografias Confraria Mística Brasileira